Depois de 4 excelentes temporadas o maior desafio de House of Cards era manter o nível e ainda conseguir de alguma forma surpreender o público. Com a saída de Beau Willimon, showrunner original da série para dar lugar a Melissa James Gibson e Frank Pugliese a insegurança se tornava maior ainda. Como Frank e Claire conseguiriam sair da situação difícil que Tom Hammerschmidt os colocou no final da 4ª temporada? Enfim, todas essas incertezas deram lugar à confiança de que mesmo se a série não fosse um primor técnico, e ela é, Kevin Spacey e Robin Wright dão conta do recado como poucos atores e atrizes que pisaram nesta Terra. Mas vamos por partes. Qual é a trama da quinta temporada?

Após a tomada da presidência as coisas ficaram bem difíceis, especialmente para Frank, afinal construir é muito mais complicado do que destruir. Para se safarem da matéria de Hammerschmidt, Frank e Claire usam o terror ao seu favor, manipulando pessoas e acontecimentos para que o foco mude da verdade para seus interesses, manobra muito comum no mundo da política. Para complicar a vida deles, as eleições estão muito próximas e Will Conway (Joel Kinnaman) está na frente nas intenções de voto. Conway tem um grande crescimento como personagem nesta temporada, mostrando todo o seu lado humano de forma bem interessante, como por exemplo o estresse que ele acumula na disputa e que o leva a tomar várias decisões e atitudes duvidosas, isso vindo de um cara que demonstrava ser “melhor como pessoa” do que seu rival Frank Underwood.

São muitos problemas a serem resolvidos nesta quinta temporada e tudo é feito de forma extremamente competente, ainda que nem sempre realista, afinal trata-se de uma série. A ideia é extrapolar mesmo, mas vale dizer que frequentemente o mundo real nos surpreende com coisas absurdas no nível de House of Cards. A trajetória de um membro do Congresso ao cargo de vice-presidente e posteriormente ao cargo de presidente através de manipulação e corrupção é muito familiar a nós brasileiros.

Essa quinta temporada é sem dúvidas a mais tensa e emocionante da série, ficando em pé de igualdade na qualidade das duas primeiras, acima das também boas terceira e quarta. Apesar de comparar em qualidade com as duas primeiras, nesta última temos um clima bem diferente, com muito mais momentos de suspense, que crescem absurdamente a medida que os episódios avançam. A quinta temporada é bem peculiar em comparação às anteriores ainda que mantenha a base.

Na primeira metade, englobando do episódio 1 ao 7, a maior preocupação dos Underwood é lidar com as eleições e impor um terror psicológico nos eleitores para que situações absurdas de manipulação de votos e opinião fossem concretizadas. Nessa primeira metade encontramos as melhores quebras de quarta parede do Frank em toda série, rivalizando fortemente com o final do primeiro episódio da segunda temporada e a clássica “Hunt or be Hunted”:

Os enquadramentos e dinâmica em alguns momentos da quebra de quarta parede são arte pura, com Kevin Spacey dando um show! Como já vinha acontecendo gradualmente na série, Claire está cada vez mais sedenta por poder, o que a torna mais parecida com Francis, inclusive em atitudes drásticas e uma grande surpresa que já havia sido preparada na última cena da quarta temporada. Os showrunners da série moldam Claire para que a mudança de atitude da personagem seja totalmente orgânica. Sem dúvidas ela já está em pé de igualdade com Frank, o que pode ser uma faca de dois gumes para o ambicioso casal.

Na segunda metade da temporada o que prevalece é a paranoia. Devido à coleção de merdas que Frank teve que fazer para chegar ao poder, muitas pontas ficaram soltas e o casal Underwood colecionou muitos inimigos, fazendo com que a série vire um thriller psicológico onde toda a equipe do presidente esteja à beira da loucura, colocando até mesmo o até então super leal Doug Stamper à prova. Nesta temporada LeAnn que seria uma espécie de Doug para a Claire também ganha um maior destaque, ainda que não conte com a mesma profundidade de Stamper que já vem sendo desenvolvido desde o começo da série. Já Seth que está há um bom tempo na série poderia ser melhor explorado, pois o personagem em diversos momentos parece que ganhará um arco maior e no fim das contas volta a ser diminuído, mas provavelmente isso é feito premeditadamente pois ele é apenas mais uma ferramenta nas mãos dos Underwood e quando ele começa a querer voa, logo tem suas asas cortadas.

Ainda nessa segunda metade temos a introdução de dois novos personagens que tem papel fundamental no desenvolvimento final da temporada e que prometem ser importantes mais a frente. Como eles aparecem de forma bem gradual é melhor evitar citar o nome de ambos para evitar spoilers, mas certamente estarão presentes em uma crítica de sexta temporada já que estarão consolidados.

Vale dizer que o final da temporada é extremamente caótico, no bom sentido, e fica bem difícil prever quem estava por trás de todos os planos que ocorrem neste ponto. Parece que estamos assistindo um filme de horror e passamos a questionar o mundo real e o quanto somos manipulados por algumas poucas pessoas poderosas que fazem o que bem entendem.

Os poucos pontos negativos da temporada ficam por conta do ritmo que em diversos momentos fica arrastado, principalmente para aqueles que fazem maratona, pois algumas subtramas, em especial as que envolvem os jornalistas, são bem desnecessárias e chatas de acompanhar. Acredito que todos os 13 episódios poderiam ter 45 minutos ao invés de 50 minutos a 1 hora, enxugando alguma gordura inútil. Além disso, por estar extrapolando o mundo real que já anda bem absurdo, em alguns momentos pode-se tornar bem incômodo tantas intrigas sem nenhum momento para respirar. A quinta temporada é ligada no 220 quando se trata de conspiração.

No fim, mesmo com um probleminha ou outro, o saldo é de se bater palmas, mostrando que mesmo após muitas temporadas, uma série pode se reinventar sem perder sua essência. House of Cards mostra que é possível criar novos personagens e mais do que isso, evoluir com qualidade os personagens mais consagrados. Uma série implacável, tal qual seus protagonistas!

House Of Cards

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