“A aventura mostra o azarado capitão Jack Sparrow (Depp) sentindo os ventos da má sorte soprando com mais força quando um grupo de piratas fantasmas e mortais liderados por seu velho inimigo, o aterrorizante Capitão Salazar (Bardem), escapa do Triângulo do Diabo com o objetivo de matar todos os piratas, principalmente Jack. Sua única esperança é encontrar o lendário Tridente de Poseidon. Para isso, ele terá que fazer uma problemática aliança com a brilhante astrônoma Carina Smyth (Scodelario) e Henry (Thwaites), um teimoso marinheiro. Sob o comando de seu pequeno e miserável navio, Dying Gull (Gaivota Moribunda, tradução livre), Jack Sparrow precisa salvar sua vida contra o inimigo mais formidável e malicioso que enfrentou.”

Piratas do Caribe sempre foi uma série de filmes no estilo ame ou odeie. Geralmente quem gostou do primeiro continuou fã, gostando de todos, até mesmo do controverso Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas. Quem odeia, já desistiu da franquia logo no primeiro. Sempre enxerguei a franquia como mediana. Diverte, mas sempre com histórias bem rasas, inofensivas, o que é bom para passar o tempo, mas nunca se tornando um produto memorável. Quase sempre, para este que vos escreve, se salvava apenas os personagens, principalmente o já não tão mito Jack Sparrow (Johnny Depp), o clássico Barbossa (Geoffrey Rush) e o asqueroso Davy Jones.

Neste quinto filme fica bem claro a tentativa de retorno às origens, tanto pela história um tanto quanto familiar, quanto pela montagem do filme. No primeiro ato de Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, temos os personagens passando por situações engraçadas e tentando escapar da morte, quase em um estilo desenho animado. A ação se passa em uma cidadezinha e em terra firme, se assemelhando com o início da aventura do primeiro filme. No segundo ato temos perseguições de navios pelos mares, incluindo uma parada em uma ilha com momentos galhofas, muito semelhante com uma das principais cenas de Piratas do Caribe: O Baú da Morte (que por sinal é o meu preferido). O terceiro e derradeiro ato do filme é totalmente grandioso, com efeitos especiais incríveis e totalmente megalomaníaco, assim como a exagerada e vistosa cena final de Piratas do Caribe: No Fim do Mundo.

Além dessas “coincidências” e do breve retorno de personagens clássicos como Hector Barbossa, Will Turner (Orlando Bloom) & Elizabeth Swan (Keira Knightley), temos um novo casal de jovens, claramente tentando resgatar as essências deste dois últimos personagens que acabei de citar. No caso estou falando de Henry Turner (filho de Wil e Elizabeth) e Carina Smyth, cujo background é um dos pontos principais da trama. O problema é que o novo casal não tem muita química e o roteiro não ajuda, dando para os dois alguns diálogos muito vergonha alheia e um romance muito apressado. Jack Sparrow está mais louco e caricato do que nunca neste filme. Mais bêbado e menos sagaz, o que não chega a estragar o personagem, mas pontua como a participação mais fraca do personagem desde o início da franquia. Até no quarto filme eles está melhor do que aqui, mesmo achando que o quinto longa como um todo seja melhor.

O personagem que mais se destaca em meio a uma chuva de atuações medianas é o Capitão Salazar (Javier Bardem), que se não é melhor que o próprio Barbossa do primeiro filme e nem melhor do que o Davy Jones, ainda assim tem momentos bem legais e é um vilão intimidador, que se melhor trabalhado poderia ser no nível dos dois primeiros, mas infelizmente ele caiu na franquia com a galera de produção já não tão empenhada como na primeiro trilogia, se é que o 4 e 5 estão formando uma nova trilogia. Eu diria que estão mais para Contos do Jack Sparrow.

Em A Vingança do Salazar, até a marinha inglesa que por vezes tinha seus bons momentos nos filmes anteriores, desta vez é completamente sub utilizada, não existindo um momento marcante sequer durante todo o filme. O oficial que persegue os piratas desta vez, é completamente inútil e derrotado facilmente durante o filme.

De positivo, vale mencionar que os efeitos visuais são excelentes. Apesar de mais raros em comparação à trilogia original, o humor está ali presente e dá para rir em duas ou três cenas, além da trilha sonora ser ok, com óbvia inclusão da música tema, que é bem clássica. Vale mencionar que em um flashback do filme, podemos ver um Jack Sparrow mais jovem, mostrando que a Disney vem trabalhando cada vez melhor nessa tecnologia que já vimos nos filmes da Marvel, em Rogue One e outros longas ligados à gigantesca empresa.

Assim como aqueles que amam ou odeiam dificilmente mudam de ideia, fiquei com a impressão que Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar é mediano, portanto minha opinião sobre a franquia não mudou. Quem curtiu os 4 primeiros filmes, pode ver este sem medo, se não curtiu passa longe, se assim como eu, considera a franquia mediana, assista naquele dia sem nada pra fazer.