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Durante todo o processo de divulgação de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro eu torci o nariz para o filme e para os efeitos especiais que a todo tempo pareciam mais cenas de um game do que um filme.

Eu estava certo em relação aos efeitos… mas para minha surpresa ficou muito bom! Assim como toda a caracterização dos personagens, que ao mesmo tempo em que tudo parece super exagerado e caricato, eu enxergo isso como algo que remete e muito aos quadrinhos e desenhos mais clássicos do super herói aracnídeo.

Em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro temos Peter Parker (Andrew Garfield) convivendo com as consequências dos seus atos praticados no primeiro filme, incluindo a morte do pai de Gwen Stacy (Emma Stone) e ao mesmo tempo temos um aprofundamento da história dos pais de Parker e a relação do mesmo com a sua tia May.

O primeiro ponto que gostaria de comentar é que achei o filme mais dramático do que eu esperava e também mais engraçado do que todos os filmes anteriores do herói (incluindo os protagonizados por Tobey Maguire), e isso seria algo positivo se fosse melhor equilibrado dentro do filme… Temos várias cenas bem longas com momentos tristes e depressivos contrastando com outras mais curtas de ação e piadas visuais muito bem encaixadas. Em suma, faltou um ritmo mais equilibrado ao filme.

Vale destacar que o filme utilizou bem os efeitos 3D, fazendo os espectadores sentirem em alguns momentos a sensação de se balançar através do prédios de New York, além disso as cenas realmente tem profundidade e em nenhum momento senti incômodos com o efeito.

A trilha sonora do filme é bem mais ou menos, senti que ela fluiu bem na maior parte do filme, mas chegou a me incomodar em algumas cenas, especialmente nas que envolviam o personagem Electro.

Falando em Electro (Jamie Foxx) , talvez esse seja um dos personagens com uma mudança de personalidade das mais abruptas e bizarras da história dos filmes de heróis.

O personagem Max Dillon que viria a se tornar o Electro mais a frente no filme, é um cara legal, fã do Homem Aranha e de repente, quando se torna o vilão, passa a ser daqueles mais estereotipados, com risadas e frases vilanescas, sem maiores explicações. Óbvio que os produtores e diretor (Marc Webb) podem explicar que ele ficou insano, mas isso soa totalmente artificial no filme e até os mais desatentos vão notar essa falta de cuidado com o personagem. A culpa sem dúvidas não é de Jamie Foxx, que se esforça e até essa mudança abrupta demonstra muito carisma, mas a decisão de roteiro prejudicou bastante o seu trabalho, ainda mais pela infeliz decisão de colocar o subtítulo nacional como “A ameça de Electro”.

Um dos três vilões do filme, além do Electro, é o Rhino que sinceramente mal merece comentários, além de aparecer muito pouco e ser muito mal interpretado por Paul Giamatti, o personagem ficou extremamente mal caracterizado, apesar de seu “excesso de vilania” lembrar bastante o personagem dos quadrinhos que também não é dos inimigos mais inteligentes do Homem Aranha.

O terceiro vilão do filme é o Duende Verde, dessa vez Harry Osborn, interpretado de forma caricata por Dane DeHaan. Esse sim, é o verdadeiro vilão do filme e apesar de uma escolha meio duvidosa para dar vida ao seu personagem, eu consigo imaginar um playboy bilionário tomando decisões tão loucas quanto ele toma no filme. Sua fragilidade física também fez um contraste interessante com o poder que ele ganha no decorrer do filme.

Sobre os vilões, como puderam notar pelos comentários, todos são bastante caricatos, sem motivações ou com motivações estranhas, mas no fim com exceção do Rhino, acabaram funcionando como uma história em quadrinhos mais rasa.

As atuações de Andrew Garfield e Emma Stone são o ponto alto do filme, pois eles realmente tem uma boa química, além de Marc Webb demonstrar mais uma vez que sabe fazer cenas “fofinhas”, deixando o romance fluir de forma natural, com trejeitos mais soltos do que simplesmente colocar frases prontas que ninguém consegue acreditar. Quando precisa segurar cenas sozinho, Garfield mostra ser competente e trás um Peter Parker meio nerd, meio descolado, assim agradando todos os públicos, além é claro de caprichar nas piadinhas, isso sendo mérito do roteiro também, é claro.

O saldo no fim de tudo foi positivo, mesmo com todos problemas apontados, o filme me fez sentir em uma verdadeira aventura do Homem Aranha, podemos dizer que esse é um Aranha das fases mais caricatas e menos trabalhadas dos quadrinhos, e em se tratando de drama o filme é muito impactante em alguns momentos que não posso citar por causa de spoilers. Achei emocionante os minutos finais mesmo já tendo ideia do que poderia acontecer e isso quer dizer que a execução foi bem feita.

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro vale ser conferido no cinema em 3D, se você assistir de coração aberto e relembrando o desenho animado, comparando com um grande game ou ainda com fases mais inocentes do personagem nos quadrinhos, você vai se divertir bastante, agora para aqueles mais críticos, os defeitos vão pipocar na tela pois são muitos e gritantes.

Eu preferi assistir O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro de coração aberto e me diverti bastante, mas concordo com as pessoas que o criticaram, acho que mais uma vez O Espetacular Homem-Aranha vai dividir opiniões: Pessoas muito críticas versus Pessoas que só querem se divertir… Escolha seu lado e seja feliz!