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Um dos gêneros mais carentes desde sempre na história do cinema é a ficção científica. Este é um “terreno” super arriscado de pisar e são poucos diretores que batem no peito e encaram a missão.

Se em 2013 tivemos Alfonso Cuarón encarando essa empreitada e vencendo com louvor vários prêmios com seu Gravidade, começamos 2014 com um filme de boa qualidade e já nos mostrando que esse ano promete, pois ainda teremos outros filmes do gênero (no qual podemos destacar o esperado Interstellar de Christopher Nolan), e No Limite do Amanhã apesar de não ser um filme daqueles que se tornam clássicos na história do cinema, é um filme extremamente divertido e com excelentes cenas de ação, humor, tensas e reflexivas.

O filme nos mostra um planeta Terra sendo invadido por alienígenas capazes de usar poderes bem complexos e com grande capacidade de batalha. Depois de perder várias batalhas, o exército começa a enviar praticamente todo homem capaz de segurar uma arma para o campo de batalha e nisso entra o protagonista Tenente Coronel Bill Cage, interpretado pelo super carismático Tom Cruise, um cara especialista em fazer a propaganda de guerra, mas sem nenhuma experiência em combate real.

Como sabemos, praticamente toda ficção científica vem carregada de metáforas e simbolismos, geralmente mascarados dentro de uma trama de ação ou aventura.

Em No Limite do Amanhã não poderia ser diferente, sendo que neste, nos divertimos com viagem no tempo e a ideia de que se pudéssemos reviver um mesmo dia várias vezes, principalmente naqueles em que cometemos erros, talvez precisaríamos de incontáveis chances para resolvermos um problema e aprenderíamos pouco a pouco com mais erros cometidos.

Ao mesmo tempo em que a trama nos passa uma situação crítica, Cruise tem uma atuação tão irônica e carismática, que em muitos momentos a platéia cai na risada com suas tentativas de resolver a situação aparentemente impossível.

Outro grande acerto é que mesmo o visual dos alienígenas não sendo algo muito original, eles são extremamente ferozes e ágeis em combate, gerando excelentes cenas de ação, muito disso se devendo também as escolhas de cenários, geralmente em campo aberto ou trincheiras, tendo apenas alguns poucos momentos em ambientes escuros. A direção confiou no taco da sua equipe e mostra o monstros, armaduras e veículos, sempre com muita clareza, algo que faltou por exemplo em Godzilla 2014.

Além do carisma e boa interpretação de Tom Cruise, o filme também conta com bons momentos e boa atuação de Emily Blunt fazendo o papel de uma militar durona, focada, mas também carismática.

Talvez carisma seja realmente a palavra que melhor traduz o filme, pois apesar de ideias bem aplicadas, boas atuações dos personagens principais, boas cenas de ação e bons efeitos visuais, o filme não “explode cabeças” no sentido não literal, ele é “apenas” extremamente redondinho e envolvente.

O filme muitas vezes lembra um grande videogame, mas no bom sentido, em muitos momentos me senti vendo uma adaptação de Gears of War ou Halo, pois o clima de invasão, as armas, veículos e trajes de guerra usados são muito semelhantes a esses jogos para dar exemplos mais recentes, lembrando novamente que isso não desmerece em nada o filme pois esses jogos mencionados tratam-se de clássicos recentes da história dos jogos de videogames.

Sem dar spoilers, vale mencionar que o final fica devendo um pouco por ser previsível e um pouco covarde, obviamente entendi bem a proposta, mas em todo terceiro ato do filme os protagonistas ficam muito mais invulneráveis do que eles vinham demonstrando até ali e isso ocorre por um motivo muito claro e pouco corajoso inserido no roteiro.

Mesmo com algumas pequenas derrapadas, uma queda de ritmo aqui e ali e o finalzinho mais ou menos (mais ou menos…) recomendo que assistam esse filme no cinema pois é um filme de ficção científica de qualidade e sua ação estilo videogame agrada bastante, além é claro de contar com boas atuações dos protagonistas (sendo também verdade que você mal se lembrará dos outros personagens que são bastante descartáveis e genéricos, isso tendo sido assumido até mesmo pelo roteiro que não dá destaque para eles em momento algum).

No Limite do Amanhã poderia ter ido mais longe, mas a escolha por ser um blockbuster apostando em cenas de ação também é legítima ao apresentar uma boa qualidade e respeitar minimamente a inteligência do expectador.