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Em uma Terra desértica e com a humanidade vivendo em decadência, duas pessoas se cruzam: Max, homem com terríveis lembranças e de poucas palavras; e Furiosa, uma mulher que está tentando voltar ao local onde viveu sua infância.

O que torna uma experiência especial? Porque algumas coisas nos marcam tanto e outras não?

Mad Max: Estrada da Fúria é um filme com poucos diálogos, muita ação e ainda assim consegue ser sútil.

Como George Miller conseguiu tal feito?

A resposta está em deixar o expetador sentir a história, sentir o ambiente, apostar em mais efeitos práticos, alocando os efeitos especiais para composição e não como atração principal.

Mad Max: Estrada da Fúria é um longa puramente sensorial, totalmente oposto ao estilo Nolan, que mesmo em seu Interestelar, onde poderia ser menos didático, preferiu entregar tudo de bandeja para o público.

O visual do filme é extremamente bem pensado. Se por um lado os personagens estão o tempo todo em um ambiente desértico, a equipe de fotografia aproveita para explorar isso ao máximo, explorando as cores em um estilo muito parecido com a série Breaking Bad, não se preocupando tanto com o realismo e sim com as sensações que aquelas cores passarão.

A trilha sonora tem uma pegada frenética que mistura rock, eletrônico e um estilo mais tribal, brincando com o fato de um mundo distópico ser ao mesmo tempo evoluído tecnologicamente falando e extremamente selvagem no quesito sobrevivência.

O mais interessante é que nas perseguições de veículos, temos personagens tocando instrumentos como tambores e até mesmo um guitarrista muito louco que deixou a galera do cinema maluca rindo, curtindo e vibrando em cada aparição.

MadMax-Guitarrista

As atuações do filme são extremamente competentes no que se propõe, Tom Hardy é um Max imponente, principalmente nos momentos de ação e Charlize Theron interpreta Furiosa tão bem que quase rouba o filme para si, tornando-se uma das mulheres mais badass da história do cinema, estando em pé de igualdade com Ellen Ripley (Sigourney Weaver) da série Alien.

O terceiro personagem que mais se destaca na trama é Nux (Nicholas Hoult), inicialmente um ser bem esquisito, mas que talvez tenha o arco mais interessante do filme.

O vilão Immortan Joe (Hugh Keays-Byrn) tem um desenvolvimento bem sútil, descobrimos sua motivação em estar caçando Furiosa aos poucos e percebemos que é um cara bem escroto e tirano mais pelas outras personagens do que pelo próprio, ou seja, mesmo neste personagem tão caricato em sua aparência, temos um cuidado especial no desenvolvimento.

Um ponto curioso é que mesmo tendo boas atuações, o filme é um espetáculo sonoro-visual tão impactante que faz os atores ficarem em segundo plano, sendo estes o ponto mais “fraco” de Mad Max: Estrada da Fúria.

O filme é adrenalina pura, contando com duas horas de duração e alguns poucos minutos de diálogo e reflexão dos personagens, mas o mundo do filme é tão insano que essa ação não fica cansativa, os expectadores tem tanto para olhar, para reparar, para sentir, que o tempo passa rápido como os carros e motos rasgando os desertos desse mundo fantástico.

Estender esse texto é bobagem, o veredicto está na cara…

Corra para assistir Mad Max: Estrada da Fúria nos cinemas, pois este é um daqueles filmes que surgem a conta gotas nos dias de hoje.

Aqueles que perderem essa loucura nos cinemas vão se arrepender muito, pois acredito que a mágica desse filme está na tela grande e no som potente. Estamos diante de mais uma pérola que só o cinema pode proporcionar e devemos agradecer por ela. Recomendo em IMAX, XD, 3D, 4D… apenas assista!!!

Aplaudindo George Miller de pé!!!