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Sinopse: Um grupo de exploradores fazem uso de um recém-descoberto buraco de minhoca (portal que, em teoria, liga dois pontos do universo) para superar os limites da viagem espacial humana e vencer as grandes distâncias envolvidas em uma viagem interestelar e assim salvar os seres humanos da extinção completa.

Demorei alguns dias para conseguir sentar na frente do PC e escrever sobre Interestelar, e você leitor já vai entender o porquê disso e qual a relevância dessa introdução.

Como um filme pode ser tão simples e tão complexo ao mesmo tempo? Como posso gostar tanto de Interestelar e ao mesmo tempo ter ressalvas sobre sua qualidade em diversos pontos?

Queria escrever um texto mais analítico e menos pessoal, como geralmente faço quando analiso filmes aqui no site, mas dessa vez julgo ser impossível ser “imparcial” ou “impessoal”, pois Interestelar (Interstellar no original) é um filme muito ligado às experiências pessoais e talvez por isso ele vem dividindo tanto as opiniões de crítica e público.

Já existem por aí muitas críticas com e sem spoilers e opiniões (ditas imparciais), por isso nesse texto tentarei transmitir minha experiência pessoal ao assistir Interestelar evitando spoilers.

Começo contando algo da minha vida pessoal que explica rapidamente porque o filme me toca e me faz entender os sentimentos do protagonista Cooper (Matthew McConaughey):

EU SOU PAI!!!

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Para um pai é impossível assistir a esse filme e ficar alheio aos sentimentos de Cooper, um pai que ama seu filho (a) torce pelo sucesso do personagem, entende suas motivações, entende a sua dor quando as coisas não vão bem, simplesmente porque McConaughey consegue atuar de uma forma magnífica e extremamente convincente.

Ainda acho incrível como esse ator deu um grande salto nos últimos anos (True Detective, Clube de compras Dallas), sendo que no passado ele fazia algumas comédias românticas lamentáveis.

Interestelar é um filme sobre o tempo acima de qualquer coisa, e por isso quando você entende a importância de acompanhar o desenvolvimento dos filhos ou até mesmo de aproveitar momentos com alguém importante (sendo o laço de pai e filha (o) certamente o mais forte para muitas pessoas), você consegue entender melhor o protagonista, o que ajuda muito a gostar do filme, deixando a jornada espacial em segundo plano e dando muito mais importância para o drama de Cooper.

Interestelar é um ótimo filme de ficção científica, com alguns momentos visuais incríveis (o buraco de minhoca é uma das coisas mais incríveis que já vi no cinema), uma trilha sonora bem encaixada mesmo não sendo o melhor trabalho de Hans Zimmer (na minha opinião) e tem uma grande mistura de momentos muito didáticos misturados com momentos em que o roteiro nos permite refletir, mas no fim das contas o que eleva sua conexão com o filme é sua conexão com Cooper, entender porque sua pressa de voltar para casa, entender porque ele tenta nunca perder tempo em sua missão, enquanto os outros personagens estão muito mais ligados à salvação da Terra (nem todos né Anne Hathaway?).

E falando em Anne Hathaway, ela teve uma interpretação ok no filme, não chega ao nível de McConaughey, mas está legal, enquanto isso Michael Caine que faz o papel de pai da garota não tem muito tempo em tela e no pouco que teve não conseguiu impressionar como em outros papéis.

Vale destacar a participação de Mackenzie Foy como Murph criança e Jessica Chastain como Murph adulta, pois elas tem grande importância para a trama e conseguiram se sair bem, transmitindo a carga dramática que o papel exigia.

Os outros personagens que se destacam não são humanos e sim robôs, principalmente TARS, dublado por Bill Irwin e que tem papel fundamental na trama do filme, além de ser um belo alívio cômico juntamente com os outros robôs da missão. Seu visual claramente inspirado nos monolitos de 2001: Uma odissía no espaço é surpreendentemente legal e sua movimentação incrível se considerarmos que inicialmente estes robôs parecem geladeiras que falam.

A direção de Christopher Nolan está impecável nesse filme, mostrando planos variados e conduzindo os acontecimentos de forma genial, mas o filme mesmo com todas essas qualidade não é perfeito, pois na minha visão ele sofre uma leve queda de qualidade na última hora do filme e não consegue se recuperar até o final.

Eu diria que ele é nota 10 por duas horas e nos últimos 50 minutos, o roteiro ligeiramente pé no chão (apesar da viagem fantástica) começa a se perder com exageros e excesso de reviravoltas mirabolantes, culminando com um final que ficará longe de ser unânime em qualquer roda de discussão sobre o filme.

Eu não odiei o final, que fique bem claro, mas facilmente entendo quem não tenha curtido e mesmo para mim a queda de ritmo e interesse no filme começou ainda em meio à aventura especial quando os protagonistas chegam a um determinado lugar e encontram um personagem importante para trama (e um ator que eu nem sabia que estava no elenco, mas é muito famoso), a partir deste ponto o filme perde um pouco do seu tom contemplativo que estava funcionando muito bem e passa a correr para o final em um tom megalomaníaco (aqui Nolan merece um pouco de culpa, pois fez o mesmo em Dark Knight Rises).

Mesmo com essa leve queda no final, considero Inserstelar um filme imperdível e que merece ser visto no cinema, na melhor sala que sua cidade possuir, pois é uma experiência incrível, mas não para qualquer um, exigindo alguns requisitos pessoais mínimos para ser apreciado.

Pode não ser o filme do ano, pode até mesmo não ser o melhor filme do Nolan, mas acredito que será um dos filmes que superarão a barreira do tempo e ainda tocará o coração de muitas pessoas no futuro.

Na opinião pessoal deste que vos escreve, Nolan conseguiu quebrar a barreira do tempo, mesmo que não tenha conseguido atingir a perfeição.