Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

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Cinquenta Tons de Cinza me parece uma ode ao exagero… Exagero sexual, exagero pela vendas absurdas do livro e bilheteria do filme, exagero ao dizer que o filme é um lixo, exagero ao dizer que o filme é bom e por ai vai.

Não li a obra original por isso estou analisando o filme, mas por tudo que já ouvi falar e pelo que é mostrado no longa, quem comprar a ideia de que Cinquenta Tons de Cinza se trata de um filme sobre sadomasoquismo vai se decepcionar muito.

Aparentemente o autor original e roteiristas do filme queriam criar uma história dramática, um romance moderno com pitadas de sadomasoquismo, mostrando o que um cara rico traumatizado, com grande poder de persuasão poderia fazer com uma garota comum e relativamente ingênua.

Talvez a história não seja exatamente sobre isso, mas a execução acabou deixando isso como produto final no filme.

De positivo temos uma bela trilha sonora, algumas “dicas” de sexo para casais mais coxinhas (não digo todo o exagero e nem a pratica sadomasoquista, isso não é pra qualquer um, mas a lição que vale a pena dar uma apimentada em um relacionamento é válida, mesmo que o foco do filme não seja esse).

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A atuação dos protagonistas é ok, não chega a ser um fiasco, nem ótima, vale destacar negativamente o exagero nas caras e bocas de Dakota Johnson, mas isso parece ser mais instrução da direção do que uma falha da atriz (posso estar errado), pelo lado positivo ela passa alguns momentos de nudez sem parecer artificial e sua simplicidade é crível quando não está exagerando no beicinho, Jamie Dornan faz o básico e não compromete, aparenta ter feito o que foi pedido com correção.

A fotografia do filme é bem feita e o ritmo é bom até o lamentável final que comentarei mais a frente.

De negativo temos o enredo com um todo que não se sustenta por um filme inteiro, acredito que por uma trilogia inteira deva ser uma tortura, além disso a todo momento fiquei com a impressão que a relação entre Christian Grey e Anastacia Steele não tem nada de saudável e nem rola um fetiche por parte do casal na pratica do sadomasoquismo que tanto é propagandeado pelos leitores do livro.

A impressão que fica é que Grey é um cara pertubado por seu passado e usa da sua fortuna para se aproveitar e torturar Anastacia, uma garota simples, “ingênua”, virgem e que se deslumbra facilmente com a possibilidade de uma vida de poder com um cara bonito e rico. No começo do filme até tenho a impressão que Ana curte o gosto sexual peculiar de Grey, mas a medida que a história avança e o medo domina a garota, fica claro que ela é mais uma garota de cabeça fraca do que uma curiosa por aquele mundo novo que se apresentava.

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A submissão mostrada no filme nada tem a ver com o fetiche, tem muito mais a ver com poder financeiro.

Sem dar spoilers tenho que dizer que o final do filme é lamentável. Se durante a projeção, mesmo com o enredo fraco conseguimos nos divertir um pouco, o final joga tudo por terra criando um drama que aparentemente já havia sido resolvido no meio do filme, esse artifício usado apenas para prolongar a história virou uma mina de ouro nos livros e filmes blockbuster atuais.

Cinquenta Tons de Cinza apesar do teor sexual relativamente pesado, é um filme teen, que assim como outros do gênero, eventualmente agrada pessoas mais velhas. Comparando em qualidade e ser assistível ou não, eu diria que é melhor que a Saga Crepúsculo e bem pior que Jogos Vorazes.

Não diria que é uma tortura assistí-lo uma vez, mas assistir duas vezes ou assistir a provável trilogia completa que virá, pode acabar se tornando uma pratica masoquista.