Depois da ótima primeira temporada e da boa segunda temporada, Better Call Saul consegue chegar ao seu ápice com uma terceira temporada espetacular, provando mais uma vez que Vince Gilligan sabe o que faz. Se na temporada anterior o ritmo lento tinha deixado um leve gosto de enrolação e falta de resoluções, desta vez fica claro que o ritmo só incomoda se o roteiro quiser, pois a terceira temporada mantém o ritmo de degustação lenta, mas com um sabor muito mais potente e delicioso de acompanhar.

Pode parecer exagero, mas a terceira temporada de Better Call Saul está no mesmo nível das melhores temporadas de Breaking Bad e isso se deve a fatores óbvios. Temos aqui um grande destaque para personagens icônicos como Gus Frings (Giancarlo Esposito), Hector Salamanca, além de Mike (Jonathan Banks) e Jimmy (Bob Odenkirk) finalmente chegarem ao ponto máximo de seus personagens, com um grande salto de evolução e atuação dos dois protagonistas.

Na primeira metade da temporada o foco é fechar a contenda entre os irmãos McGill, mesmo que em paralelo muita coisa esteja acontecendo, o destaque é total para a relação de amor e ódio entre Jimmy e Chuck, tendo um ápice digno de aplausos no episódio 5. A partir daí podemos ver quem realmente é Jimmy que por causa das consequências desse episódio, tem que procurar formas de sobreviver e volta a nos mostrar sua face egoísta e trapaceira em níveis que já estávamos quase esquecendo que ele era capaz. Jimmy no fim da temporada chega a usar uma velhinha para alcançar seu objetivo, um grande FDP, que nos pegamos torcendo em diversos momentos, algo que ocorre também com outros protagonistas icônicos da televisão (Dexter e Frank Underwood, por exemplo) e que graças a um showrunner competente nosso bom senso é completamente enganado. Finalmente temos a primeira menção a Saul Goodman, mas ainda não é aquele Saul clássico. Mas está bem perto, o que me leva crer que o fim da série está bem próximo.

Se o embate entre Jimmy e Chuck (Michael McKean) estava quase se tornando cansativo na temporada passada, dessa vez temos que tirar o chapéu para os roteiristas, que criam um combate emocional e psicológico poucas vezes visto na televisão mundial. E no meio do turbilhão de acontecimentos não podemos esquecer de forma alguma de Kim (Rhea Seehorn) que se nas temporadas anteriores servia como complemento a escalada / decadência moral de Jimmy, na terceira temporada ela passa a ser uma personagem interessantíssima com seus próprios dramas e toques que Gilligan consegue sempre colocar tão bem em suas histórias. No episódio 9 temos uma cena completamente impactante no final que representa bem até que ponto Kim está disposta a vencer na carreira e como os acontecimentos em volta dela e de Jimmy podem ser perigosos direta e indiretamente.

Do outro lado da história temos Mike tendo que lidar com Hector Salamanca, até que em uma de suas tentativas de acabar de vez com o velho bandido, ele acaba encontrando Gus Frings, formando uma aliança perigosíssima que já sabemos como acabará. Se por um lado temos Jimmy possibilitando belas imagens em ambientes mais fechados, constantemente podemos ver Mike em ambientes abertos durante suas “missões” dando oportunidade para a equipe técnica de Better Call Saul explorar belas paisagens no maior estilo Breaking Bad, sempre brincando com as cores e enquadramentos para representar algo. Vale destacar também na “Linha Mike” da história a bela presença de Nacho Varga (Michael Mando) que também tem ótimos momentos na temporada, carregando uma dualidade interessante entre a vida de bandido e a vida pessoal.

Frings que poderia acabar se tornando um fanservice desnecessário com muita facilidade caso fosse utilizado sem fluência, acaba agregando valor pois aparece em doses moderadas e sempre para dar andamento a trama de forma natural. Toda vez que nos deparamos com o logo dos Pollos Hermanos podemos saber que vai dar alguma merda e teremos uma bela aparição de Gus. Felizmente não há decepção na inclusão do personagem e maiores detalhes da sua relação conturbada com Salamanca é muito interessante de acompanhar.

No fim fica a sensação de que Better Call Saul atingiu seu auge e que é totalmente possível que a série ainda consiga se reinventar depois de tantos episódios bons. A terceira temporada é uma obra prima da televisão mundial e mais um grande legado deixado por Vince Gilligan. Alguém ainda dúvida desse cara?


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