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Quando foi anunciado um reboot de As Tartarugas Ninja no cinema, logo fiquei bastante animado.

Como quase toda pessoa que nasceu nos anos 80 eu estava muito feliz, pois nessa década e também nos anos 90, As Tartarugas Ninja eram uma febre incrível, tinha o desenho animado que era carismático e engraçado para crianças, o sensacional jogo Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time para Arcades e Super Nintendo, tínhamos incontáveis bonecos, shampoos e alguns filmes live-action de gosto duvidoso, mas que divertiam, enfim, era uma franquia legal.

A única coisa que me preocupava nesse reboot era o principal produtor do filme: Michael Bay.

Apesar do filme ser dirigido por Jonathan Liebesman, era bem claro que a influência de Bay era bem forte a medida que o material de divulgação era liberado (o Destruidor Transformer é uma prova), mas ainda assim os trailers estavam bem divertidos, mas sabe como é, trailer é trailer, filme é filme, e tudo fica muito pior quando as melhores cenas do filme são mostradas no trailer.

Quando uma determinada cena em um elevador foi mostrada nos trailers me empolguei, mas também cresceu o receio, pois qual seria o motivo de mostrar uma cena tão legal nos trailers e estragar a experiência de assisti-la no cinema?

Simples…

Chamar mais gente para o cinema, empolgando os redatores de sites especializados e possíveis pessoas em dúvida sobre assistir o filme, pois o longa talvez não conseguiria fazer isso através do boca a boca e da crítica especializada. Os trailers e a divulgação como um todo eram fundamentais para o sucesso comercial desse filme. Tendo uma garota propaganda como a Megan Fox essa tarefa era bem facilitada… E falando na musa do filme (que nunca perde a maquiagem e nunca despenteia o cabelo mesmo participando de inúmeras explosões), a sua atuação é inexistente. Ela apenas faz caras e bocas para seduzir os homens e causar inveja nas mulheres. Tem uma cena de ação dentro de um carro que demonstra bem qual é a parte mais importante dela para o filme.

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As atuações nesse filme estão inacreditavelmente inexpressivas (temos até uma participação quase inútil da Whoopi Goldberg). Os efeitos especiais são inconstantes, e se por um lado temos as Tartarugas Ninjas muito bem feitas e impressionantes, o Mestre Splinter está pior do que os filmes live-action dos anos 90 e o Destruidor tem uma armadura super pesada, mas que só faz barulho, você não sente o peso dela de verdade e as armas embutidas mais parecem um canivete suiço. A motivação do Destruidor para dominar a cidade é lamentável, é incrível a preguiça do roteirista para pensar em algo para que o vilão se mova.

As cenas de ação intermináveis só foram amenizadas pelo fato do filme ser relativamente curto, faz tempo que não ficava tão entediado no cinema com um filme de ação, com exceção de uma ou duas cenas de luta que são legais, a maioria tem cortes muito rápidos e baixa iluminação tornando tudo muito confuso de se entender.

As Tartarugas Ninja Mutantes Adolescentes… O que esperar de um produto que já começa a zueira pelo nome?

Eu esperava diversão e nada mais…

E mesmo assim As Tartarugas Ninja com a marca de Michael Bay ficaram apenas na mediocridade. Nem eu (26 anos), nem minha filha de 5 anos, nem grande parte dos adolescentes e pessoas mais velhas (um senhor dormia e roncava fortemente ao meu lado), se divertiram tanto quanto eu vi as pessoas se divertindo em Guardiões da Galáxia por exemplo, que teoricamente é um filme que trás uma responsabilidade com a história muito maior do que As Tartarugas Ninja, principalmente por ter todo um background dos filmes da Marvel por trás e ter que dar uma resposta ao exigente público nerd de quadrinhos.

Notei alguns adolescentes rindo com as piadas de peido e outras zueiras das tartarugas, eu mesmo ri de uma piada ou outra, mas foram momentos raros. Apenas algumas piadas do Michelângelo se salvam e mesmo assim não são para qualquer pessoa, não são piadas universais, no mesmo filme os espectadores terão piadas que fazem rir e outras constrangedoras que dão vontade de sair da sala de tão ruins.

Os efeitos especias que criaram a aparência das Tartarugas estão muito legais, e esse é um dos maiores acertos do filme, talvez algo que possa ser melhor aproveitado se a sequência tiver uma qualidade maior. Por outro lado o Mestre Splinter está bizarro no mal sentido. Ficou um rato totalmente tosco, com efeitos especiais que já estão datados desde já.

O roteiro e direção são fraquíssimos, o primeiro tentando criar conexões absurdas entre os personagens humanos e as tartarugas, forçando uma importância para a April O’Neill que é dura de engolir, enquanto o segundo teima em não mostrar as coisas com calma, tudo é muito apressado e “over“. Talvez a pior coisa seja a interação sem muito química das próprias tartarugas que em quase todas versões da franquia são muito carismáticas. Leonardo é um líder sem importância quase nenhuma para a trama, Donatello é um nerd de óculos, mas em nenhum momento sua inteligência é muito relevante para o desenvolvimento da história, Raphael é o revoltado de sempre e praticamente o protagonista das tartarugas, mas também sem um desenvolvimento decente acaba se perdendo e Michelângelo é o engraçadão e mais nada.

A trilha sonora até que é legal, curti muito o hip-hop dos créditos e algumas músicas ao longo do filme, mas acho que Michael Bay continuando exagerando no volume (quantidade e barulho) das explosões

Se compararmos com o desenho clássico dos anos 80 / 90, com os quadrinhos e com a animação recente da Nickelodeon, o filme As Tartarugas Ninja fica devendo, acho que esse filme apenas se compara ao filme live-action As Tartarugas Ninja dos anos 90, então não acredito ser obrigatório assistir esse filme no cinema, aguarde a versão para DVD / Blu-Ray ou assista quando sair em algum serviço de filmes por streaming, no máximo vale o ingresso de uma sessão baratinha no meio da semana pois em 1 hora e 40 minutos As Tartarugas Ninja Mutantes Adolescentes tem potencial para divertir muito mais do que o oferecido nesse filme.