A primeira coisa que preciso mencionar nessa crítica é que acho muito injusto as comparações que quase todos sites fazem de Alien: Covenant com Alien, o 8º Passageiro, pois são filmes de épocas completamente distintas e propostas bem diferentes. Se em algum momento Ridley Scott sugeriu que os filmes seriam semelhantes ou se alguém ficou nessa esperança por causa do trailer, o problema foi o hype. Por outro lado, acredito que Alien: Covenant e Prometheus são da mesma “geração” e obviamente são interligados, Alien: Covenant é continuação direta de Prometheus, portanto comparações são válidas.

A história deste filme se passa 10 anos após os acontecimentos de Prometheus e fica subentendido que a Terra está exaurida de recursos naturais para sobrevivência do ser humano, fazendo com que fossem em busca de um novo planeta. Quando o filme se inicia, a raça humana já encontrou um planeta habitável chamado Origae-6 e a nave Covenant está em viagem para este planeta com uma tripulação de comando, um andróide sintético, colonos e embriões para povoar este novo lar. Como quase todo filme clichê de terror, um problema acontece durante a viagem, decisões duvidosas são tomadas e a tripulação vai parar em um planeta desconhecido onde obviamente muita merda vai acontecer.

Começando com elogios, o filme é muito bonito e o CGI bem empregado em quase todos momentos. Tenho pequenas ressalvas para o Alien na luz do dia, mas nada que incomode muito. A direção de Ridley Scott também continua afiada, afinal é um cara totalmente experiente e sabe o que faz na composição de cenários, ação e câmera. O problema é que mesmo estando em 2017 e Prometheus ser de 2012, o filme anterior do diretor é mais competente nesses quesitos. A chegada da nave Prometheus naquele filme é impressionante, o som é impressionante, a imersão é maior, a direção estava ainda mais perceptível e afiada, mas mesmo que inferior em quesitos técnicos se compararmos os dois filmes, Alien: Covenant faz um bom trabalho.

Alien: Covenant também ganha pontos na ação, que se não é completamente empolgante como eu gostaria, mas também não chega a ser monótona. O Alien continua um ser completamente agressivo, ágil e imponente. Vale a ressalva que o Alien clássico que conhecemos teve pouco tempo de tela já que ele divide espaço com versões menos evoluídas do xenormorfo, mas todas as versões do bichão são bem feitas e sinistras, ainda assim esperava ver o Alien clássico mais tempo na tela.

E agora com elogios devidamente feitos vem os problemas: o texto do filme assim como em Prometheus é pífio e os personagens são inverossímeis não por serem poderosos demais ou inteligentes, mas novamente por serem extremamente burros e tomarem decisões bizonhas. Dá pra enumerar uma lista de momentos de atitudes e decisões idiotas mas que seriam spoilers. Pra exemplificar fazendo uma analogia: se um amigo seu muito zuero põe uma torta sobre uma mesa e pede pra você olhar a torta bem de perto, você olharia? Pois é, um dos personagens olharia e tomaria uma tortada na cara.

Seria engraçado se a proposta do filme não fosse te amedrontar. Prometheus tem um clima muito mais pesado mesmo não contando com um inimigo tão perigoso na maior parte do filme.

Alien: Covenant TENTA trazer alguns assuntos filosóficos sobre criação, sobre vida, mas de uma forma tão rasa, tão bobinha. Por mais que Michael Fassbender esteja bem no filme interpretando dois papéis diferentes, quando ele começa um diálogo entre seus dois personagens, filosofando e tocando um instrumento musical, tudo soa tão forçado, como se ele tivesse usado algum entorpecente e estivesse viajando, ao invés de realmente discutir o assunto de forma natural.

A sacada final do filme, o plot twist decisivo, que dá um gancho para continuações, é absurdamente previsível, tanto que até enfraquece a protagonista Daniels (Katherine Waterston), tornando-a uma personagem que não enxerga o óbvio e que durante todo o filme só tem dois momentos inteligentes e relevantes. Nem precisa dizer o quanto Ripley e até mesmo Elizabeth Shaw são melhores, esta última com alguma importância na trama do filme.

No fim, assim como em Prometheus, fica a sensação de potencial desperdiçado, dessa vez com uma decepção extra por ser a volta do Alien clássico. O filme tentou abraçar temas demais, estilos diferentes demais e não se encontrou em nenhum. Ele não é competente no terror claustrofóbico como o primeiro, não tem a ação do segundo, não tem o carisma e fúria de Ripley e numa comparação mais leve, não consegue nem mesmo ter a ambientação de Prometheus, salvando-se algumas cenas de ação e alguns bons momentos de Michael Fassbender.